sábado, 11 de fevereiro de 2012

R.I.P "enfant terrible"... 17-02-69 / 11-02-10


Este Verão os tecidos estampados voltam a estar na moda. A tendência está em todas as publicações especializadas, assegura a directora da revista "Elle", Fátima Cotta. O responsável é o estilista Alexander McQueen, génio consensual, que em Outubro, em Paris, encheu a passerelle de elefantes, veados e ursos polares em tamanho real para apresentar uma colecção inspirada no planeta Terra.

Os estampados e os sapatos - "tudo com uma teatralidade, um génio...", acrescenta Fátima Cotta - são das derradeiras contribuições para o pronto-a--vestir do criador britânico, que foi ontem encontrado morto na sua casa de Londres.

Alexander McQueen era famoso por fazer dos desfiles incríveis espectáculos visuais. As colecções, exuberantes, barrocas e arriscadas, tinham depois grande influência nas tendências, avança Mário Matos Ribeiro, professor e director de arte da Moda Lisboa. Tornaram-se famosas as silhuetas em forma de ampulheta, os fatos angulares, os brocados elaborados e os vestidos românticos.

"Era um dos grandes ícones da moda dos últimos 15 anos", reforça Matos Ribeiro. "Associou técnicas ancestrais da alta--costura a uma visão muito anglo-saxónica e contemporânea do mundo. E combinava tudo com imenso sentido de humor. Era o estilo McQueen." Um exemplo: a reinvenção do vestido de baile dos anos 50.

Em Paris fizeram furor os stilettos impossíveis, chamados "Tatu", com 25 cm de altura. As imagens correram mundo, como símbolo do génio do homem que também em Paris, mas 13 anos antes, fora apelidado de "enfant terrible". McQueen, então com 27 anos, acabava de ser nomeado director de arte da casa de alta-costura Givenchy. Limitavam-lhe a criatividade, queixou-se quase cinco anos depois, quando se despediu. "Nunca se adaptou", comenta Fátima Cotta. "Tinha uma genialidade imensa, mas era um bocadinho malc -comportado. E não fazia cedências comerciais." Matos Ribeiro tem outra opinião: "Claro que fazia cedências. Nós conhecemos o lado mais lúdico e circense, mas por trás havia uma máquina a funcionar."

O suicídio de McQueen apanhou o mundo de surpresa. Há quem especule que ele nunca recuperou da morte, em 2007, da mulher que o descobriu e que depois se tornou uma das melhores amigas, Isabella Blow. A morte da mãe, no princípio deste mês, teria sido o golpe final. Para já, a família pede paz e sossego para lidar com a morte de Lee, como era tratado. O próximo desfile estava marcado para o dia 9 de Março, na Semana da Moda de Paris.



10 marcos


1969 O mais novo de seis filhos de um taxista nasce a 16 de Março. Cresce num bairro perigoso de Londres. Mantém o sotaque “cockney” até ao fim.


1985 Aos 16 anos deixa_o liceu e entra como aprendiz numa prestigiada alfaiataria de Saville Row, onde faz fatos para o príncipe Carlos.


1987 Revela aos pais que é gay. “Sou a ovelha rosa da família”, costumava dizer. “Saí directo do útero da minha mãe para uma parada gay.”


1994 Descoberto pelo ícone da moda Isabella Blow no desfile de finalistas da St. Martins School. Tornar-se-ia uma das suas melhores amigas.


1995 Lança as calças bumsters. Têm um gancho tão curto que deixam as nádegas à mostra.


1996 Torna-se director criativo da Givenchy, onde começa por chamar “irrelevante”_ao fundador do grupo. A imprensa francesa chama-lhe “enfant terrible”.


2000 Vende 51% da sua marca à Gucci. Mantém-se como director criativo.


2003 Votado designer internacional do ano_e, pela quarta vez, designer britânico do ano.


2007 Isabella Blow suicida-se com uma overdose de pesticida. “A morte dela foi a lição mais valiosa que aprendi na moda”, contou ao “The New York Times”.


2010 Suicida-se. A mãe morrera a 2 de Fevereiro.

noticia retirada de djalmanews.blogspot.com


Sem palavras. Uma tristeza para a moda.

Nenhum comentário: