domingo, 31 de agosto de 2008

Christiane F : Não precisa de apresentações

Li este livro e vi este filme quando tinha 14 anos. Por ter a idade dela e por muitas outras coisas a história marcou-me. Li o livro novamente o ano passado e teve o mesmo impacto. Hoje, quando me preparava para ver o filme outra vez, vejo esta noticia...não fazia a minima ideia de que ainda se falaria de Christiane F. As noticias não são das melhores, mas gostei de saber dela.

Christiane F




Christiane F.: A droga outra vez
Mito da década de 1980 voltou à dependência absoluta da heroína que lhe deu fama quando tinha apenas 15 anos





Durante a primeira metade da década de 1980, Christiane Vera Felscherinow foi a adolescente alemã mais conhecida do planeta, após o êxito massivo da sua autobiografia intitulada "Wir Kinder Vom Bahnhof Zoo", vertido para português como "Christiane F. - Os Filhos da Droga" (1979), e da adaptação cinematográfica (1981) do livro.

Nele descobria-se a decadência absoluta de uma criança de 13 anos, iniciada na heroína pelo namorado, e que recorria à prostituição para sustentar o vício. Voltou aos escaparates este mês, quando as autoridades lhe retiraram a custódia do filho. Por ter regressado à heroína. Se é que alguma vez a deixou. Quase 30 anos após ter sido publicada, a vida dela daria outro livro: "Christiane F. - Tomo 2". Tão sórdido como o primeiro.

Christiane F.: A droga outra vez
Christiane F. perdeu a custódia do filho


Christiane F. chegou a anunciar que estava "limpa", livre das drogas. Anos depois, admitiu que tal só havia ocorrido durante cinco meses. Provavelmente, imediatamente a seguir à edição do livro. Então, a adolescente mais conhecida do Mundo mantinha-se incógnita para fugir da fama súbita e partilhava apartamento em Hamburgo com o cineasta Klaus Maeck e o músico Alex Hacke.

Influenciada pelo primeiro, torna-se actriz no filme punk "Neonstad", de 1981, experiência a que regressa com "Decoder", realizado por Maeck, onde contracena com William Burroughs, o escritor beatnick viciado que matou a mulher com um tiro na cabeça quando brincava como Guilherme Tell; com o outro, que seria seu namorado e fundador da banda de industrial-punk "Einstürzende Neubauten", aprendeu a tocar guitarra, integrando a banda "Sentimentale Jugend". No ano seguinte, assinando Christiane X, lança o álbum "Gesundheit!" ("Saúde!"). Amargamente irónico, mas revelador: no refrão de uma música, canta "Ich bin so süchting..." (Estou tão viciada...). Estava.




Conforme revelou à revista dinamarquesa "Politiken" em 1985, regressou à heroína com 21 anos: "Quando um deles (os colegas) me ofereceu heroína… limitei-me a dizer: 'Porque não? Só uma vez'. Vomitei, porque o meu corpo estava totalmente limpo. Mas então voltei a fazê-lo, porque era muito bom…". Tão bom que tornou a ser presa nesse ano, quando trabalhava num gabinete de contabilidade, por posse de droga.

Nessa altura, já a sua identidade tinha sido revelada quando, convidada para consultora executiva do filme sobre a própria vida, um jornalista descodifica o famoso F, desdobrando o apelido Felscherinow. Mas nem tudo foi azar: com o dinheiro dos direitos da sua obra, Christiane F. reforma-se em 1985, passando a viver de rendimentos. Aos 23 anos.

Abonada, deixou a Alemanha para viajar. Nesse ensejo, conhece também algumas das maiores figuras das artes: o seu ídolo David Bowie, com quem partilhou uns riscos de cocaína; o realizador italiano Frederico Fellini, com o qual se aborreceu de morte em longos jantares e solilóquios… Até que se fartou. Foi para a Suíça e, na praça Platz Spitz, em Zurique, regressou à adolescência. Porque ali havia "montes de droga, onde nos podíamos picar à vista de todos".

Saturada da cópia, regressa à cena original, Berlim, no Verão de 1985, onde é detida pela Polícia e presa por 10 meses por recusar a desintoxicação: "A terapia era pura lavagem cerebral", diz. No ano seguinte, parte outra vez. Para a Grécia. Numa ilha do mar Egeu, conhece um jovem, Panagiotis, iniciando uma relação de seis anos, e que até a poderia ter resgatado da agulha não fora um pormenor: ele também era heroinómano. E, se no início isso não constituiu problema, a coisa assumiu proporções catastróficas de tal modo que, quando se preparavam para casar, Panagiotis é detido pela Polícia por… tráfico de droga. Sozinha, entregue à rotina dos viciados, decidiu abandonar Atenas porque ali "havia demasiados problemas para arranjar droga". Voltou à Alemanha em 1993.

Em Berlim chutava todos os dias. E nem quando, em 1994, partiu o ombro, tendo sido internada, largou a dose: "Saia todas as noites do hospital para comprar droga. Mas não podia picar um braço enfaixado". A abstinência era um calvário. Até que lhe deram pastilhas de metadona para apaziguar as dores. Foi uma revelação: Christiane F. adoptou o químico e, aos poucos, limpou o corpo. Estava tão maltratado que deixou de menstruar durante dois anos; um dia, deixou outra vez, mas agora por estar grávida do companheiro, que deixou quando o filho Jan-Niklas nasceu, em 1996.

E foi pelo filho e pela heroína que Christiane F. tornou a ser notícia. Aos 46 anos, após ter falhado múltiplas desintoxicações, não escapou à degradação do vício - tem hepatite C, faz hemodiálise e já nem sequer pode injectar por falta de veias capazes - que cultiva. Com menos dinheiro: o livro vende pouco e o filme não se vê. Por isso, partilhava um apartamento em Berlim com dois tios. E o filho, Niklas, agora numa instituição para menores. Retiram-lhe o filho por "incapacidade".

O novo drama começou este ano, quando ela e o namorado, Joachim S., de 37 anos, decidiram emigrar para a Holanda, levando a criança. Como a Justiça alemã lhe retirou o filho, ela sequestrou-o e fugindo para Amesterdão. Mas, na capital holandesa, Christiane regressou à heroína e, após uma zanga com Joachim, voltou à Alemanha em Junho. E, ainda no comboio, o Tribunal de Menores retirou-lhe a custódia de Niklas, que só poderá voltar ao convívio com a mãe caso ela recupere da dependência.

É pouco provável. Segundo a imprensa local, Christiane procura as antigas amizades da seringa, pernoita em casa de amigos e frequenta uma praça de Berlim famosa pelo tráfico. E Joachim declarou à "Der Spiegel" que ela snifava heroína regularmente e bebia muito álcool. Fiel, de resto, ao seu princípio. Em entrevista ao semanário holandês "De Limburger", em 2005, afirmou: "Nunca quis ser exemplo para ninguém; acho que cada um deve saber o que faz". Christiane F. não sabe...

2 comentários:

Anônimo disse...

LI O LIVRO E ASSISTI O FILME. AMBOS SÃO TERRIVELMENTE REAIS, E POR ISSO FIZ MEUS FILHOS ASSISTIREM ACHO QUE DROGAS NUNCA SERÃO UM TEMA ANTIQUADO, ENQUANTO NOS ANOS 70 ERA A HEROINA HOJE TEMOS O CRACK E DAI PRA PIOR, COMO PAIS E MÃES TEMOS QUE ESCLARECER NOSSOS FILHOS PARA QUE SE MANTENHAM O MAIS DISTANTE DISSO POSSÍVEL

Anônimo disse...

tenho 14 anos e li o livro !
fiquei mi imaginando no lugar dela e comparando nossas vidas,e qui si a dois anos atrás quando eu tinha exatamente 12 tivesse escolhido esse caminho que por ironia do destino tive a chance de escolher!estava saindo da escola quando um amigo meu mi chamo pra um canto e perguntou se eu queria dar uma cherada no vidro de cola dele fiquei assustada e por um minuto com apenas 12 anos passou mais de mil coisas pela minha cabeçaparei virei e disse NÃO preciso disso !
bjiinhus amre e sempre tome a decisão certa pq si eu tivesse tomada a decisão errada talvez não estivesse no meu quarto digitando esse pequeno episodio de minha longa vida !